SKF antecipa metas do novo regime automotivo e desenvolve primeiros rolamentos no Brasil

2013 Abril 26, 14:19 BRT

A SKF do Brasil acaba de desenvolver dois rolamentos de roda de segunda geração para abastecer a linha de produção de duas fabricantes de veículos instaladas no País. O projeto, inédito na subsidiária brasileira, contou com investimentos estimados em R$ 5 milhões. As primeiras peças serão produzidas no final do primeiro semestre deste ano e devem ajudar as montadoras a se adequarem às exigências do Inovar-Auto, regime automotivo criado pelo Governo Federal com o intuito de fomentar o desenvolvimento da indústria nacional automotiva por meio de pesquisa e inovação local.
 
“Trata-se de um momento histórico para a companhia. O desafio era desenvolver localmente os primeiros rolamentos de roda que abastecerão duas importantes montadoras. A inovação já está na pauta diária da SKF e certamente continuaremos surpreendendo o mercado e ajudando a indústria automotiva nacional a ser mais forte e competitiva”, conta Fabrício Teixeira, gerente de Engenharia de Aplicação da SKF do Brasil.
 
O projeto, desenvolvido pela equipe de engenharia local, levou dois anos para ser concluído passando por etapas como definição do escopo do trabalho, cálculos dimensionais e desenhos, produção de protótipos, testes de bancada nos laboratórios da SKF dos EUA e Alemanha e adaptação de canal de produção no Brasil.
 
Os novos rolamentos, quando comparados às soluções utilizadas atualmente no Brasil, são mais leves, resistentes, geram menos atrito e possuem vida útil mais longa. “Conseguimos aumentar em 30% a vida útil desse conjunto. Outro ganho foi com o peso, reduzido em cerca de 9%. A utilização de simulações numéricas foi fundamental para  alcançar essas melhorias, impactando positivamente na redução do consumo de combustível e emissão de CO2 dos veículos.”, explica o engenheiro.
 
Outra vantagem tecnológica aplicada nos novos rolamentos está relacionada à segurança e à obrigatoriedade de novos componentes. Esses rolamentos contarão com o sistema ABS integrado, um item que torna os veículos mais seguros e que será obrigatório em todos os carros produzidos a partir de 2014.
 
“É mais um ganho que oferecemos no desenvolvimento desses rolamentos. Conseguimos antecipar regras e aliar tecnologia de ponta”, diz Fabrício. O compromisso de nossos clientes com o programa Inovar-Auto é o grande responsável pelo aprimoramento técnico de nossa engenharia local e o impulsionador da transferência de novas tecnologias ao Brasil”, complementa o executivo. 
 
Toda a produção dos novos rolamentos de segunda geração estará concentrada no Complexo Industrial de Cajamar, no interior de São Paulo, para equipar plataformas de veículos de passageiros leves e comerciais leves. A previsão da companhia é atingir a marca de 600 mil rolamentos para as duas linhas no primeiro ano de produção e 1 milhão de peças a partir do segundo ano.

Brasil, China e Índia puxam a fila da inovação
 
Além do Brasil, China e Índia passam por um momento semelhante ao da subsidiária brasileira. Por lá há também o incentivo e direcionamento da matriz do grupo SKF para a criação de novas tecnologias e soluções que possam ajudar os fabricantes de veículos a se tornarem mais competitivos e eficientes. “A companhia aposta no sucesso desses mercados e a inovação será essencial para impulsionar esse crescimento”, revela o executivo.
 
O grupo SKF conta com centros de excelência automotiva espalhados pelo mundo com a missão de desenvolverem novas tecnologias. Na Itália, por exemplo, o centro é dedicado à pesquisa de novos rolamentos de roda. Já na Alemanha há pesquisas para futuros rolamentos de câmbio e na França estão concentrados estudos de rolamentos de motor e suspensão.
 
Antes de desenvolver os novos rolamentos no Brasil, os engenheiros da SKF tiveram de fazer um intercâmbio e conhecer a fundo tudo o que era desenvolvido nos centros de excelência da SKF. “Esse aprendizado foi fundamental para conseguirmos aplicar, na prática e seguindo os padrões dos Centros de Excelência, o conhecimento que a equipe adquiriu nesses centros”, conta Fabrício. “O desafio agora é desenvolvermos localmente novas soluções também para aplicações em câmbio, embreagem e suspensão”, planeja.
 
Comitê fiscaliza pesquisa e desenvolvimento
Para continuar desenvolvendo novos produtos, a SKF do Brasil criou no final de 2012 um comitê exclusivo e dedicado ao fomento de novas ideias e projetos. A companhia pretende ampliar suas atividades em pesquisa e desenvolvimento para tornar-se mais competitiva e ser uma referência na região em tecnologia e engenharia avançada.
 
“A criação dessa área vai possibilitar o incentivo à inovação. Vamos assumir definitivamente a vanguarda pelo novo, pela descoberta, pela criação. O Brasil vive um momento importante e precisamos acompanhar o desenvolvimento de perto, ficarmos mais próximos de nossos clientes e demais parceiros. É o momento ideal para assumirmos esse compromisso com todos stakeholders”, conta Hilário Sinkoc, coordenador do comitê local. “Precisamos agregar valor aos nossos clientes por meio de novos produtos e soluções”, completa.
 
Nesse momento a companhia está estruturando todo o modelo de governança corporativa dessa nova divisão. “Esse modelo de gestão vai ajudar a tirarmos as ideias do papel e a transformar conceitos em negócios”, pontua o coordenador.
 
Há uma consultoria envolvida nessa primeira fase e que está ajudando a SKF a mapear todos seus processos e a identificar potenciais negócios para a companhia. “Já identificamos produtos e serviços desenvolvidos pelo nosso time local com potencial de inovação”, antecipa Sinkoc.
 
A SKF apresentou em dezembro passado ao Governo Federal uma relação de projetos desenvolvidos pela subsidiária brasileira para buscar o reconhecimento da inovação por meio de patente. “Temos uma relação de projetos com potencial patentário. Registrar nossas soluções será o primeiro passo nesse sentido, do reconhecimento oficial. O próximo objetivo será disseminar a cultura em toda a organização”, projeta o executivo.
 
Além do incentivo à inovação na companhia, a SKF também buscará parcerias com universidades, pesquisadores autônomos, grupos de trabalho, associações e instituições autônomas com o objetivo de ampliar o acesso à pesquisa no País. “Temos de estar próximo desse público. Haverá uma aproximação natural para buscarmos alternativas de desenvolvimento conjunto”, diz.
 
Com a inauguração desse comitê, o Brasil passa a ser o primeiro país na América Latina a abrigar uma divisão estruturada em inovação. Além do Brasil, há na Europa, Estados Unidos e Ásia iniciativas semelhantes à brasileira. O Grupo concentra seus projetos globais de Pesquisa & Desenvolvimento na Holanda e investe anualmente cerca de 1,5% de seu faturamento global em P&D.
 
 
Segmento automotivo
A SKF atua no mercado automotivo com diversos produtos e soluções em rolamentos aplicados em rodas, caixas de câmbio, embreagem, motor (incluindo sistemas auxiliares e turbo chargers), sistemas de direção (incluindo direção elétrica), suspensão, além de rolamentos sensorizados para aplicações em sistemas que requeiram integração mecânica e eletrônica.
 
 
Sobre a SKF
O grupo sueco SKF é líder mundial nas plataformas de rolamentos, vedações, sistemas de lubrificação, mecatrônica e serviços na área de confiabilidade em manutenção industrial. Dono de um faturamento de US$ 9,9 bilhões em 2012, o grupo está presente em mais de 100 países, com mais de 120 plantas industriais.
 
A companhia chegou ao Brasil em 1915, oito anos depois de sua fundação na Suécia. No país, a empresa é líder de mercado nos setores em que atua. A produção da unidade brasileira está concentrada na planta industrial de Cajamar, instalada às margens da rodovia Anhanguera, a 30 km da cidade de São Paulo, onde são produzidos rolamentos para veículos leves e pesados.

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